Secretaria Municipal da Saúde
Em grupo criado por UBS, mulheres transformam sofrimento em narrativa

Em espaço de escuta e acolhimento, mulheres compartilham histórias e transformam vivências em narrativas por meio da escrita autobiográfica (Acervo/Ascom)
Nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) Jardim Selma e Jardim Pantanal, na zona sul da capital, escrever se tornou uma prática de cuidado. Criado em 2025, o projeto “Autobiografia como dispositivo de cuidado: relato de experiência em grupos de mulheres” nasceu das rodas de conversa iniciadas em 2019 no Jardim Pantanal e, em 2022, no Jardim Selma.
Coordenado pela psicóloga Andrea de Jesus Capim, a iniciativa reúne semanalmente de 15 a 20 participantes e conta com o apoio das nutricionistas Sara Chagas e Nayara Fabra, no primeiro equipamento, além da educadora física Daniela Santos, no Jardim Selma, transformando a escrita em uma potente ferramenta de cuidado, escuta e reconstrução de histórias.
Neste ano, o projeto foi apresentado no 39º Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Estado de São Paulo (Cosems), realizado entre os dias 8 e 10 de abril, como uma experiência exitosa da rede municipal de saúde da capital. Ao todo, cinco projetos de profissionais da secretaria foram premiados.
Da dor à experiência
Em uma roda realizada em março, o tema foi a violência contra a mulher. O desafio era dar forma ao que antes era apenas dor. “Quando escreve, você reflete sobre tudo aquilo que passou; escrever é entender os porquês e os significados da nossa vida”, diz Maria Aparecida Ribeiro da Cunha, 56 anos, diarista, que chegou ao grupo em um quadro de depressão após uma vida atravessada por violências.
Após vivenciar um casamento marcado por agressões, interrompido apenas após uma grave internação hospitalar, foi ali que Aparecida ouviu a pergunta que mudaria sua trajetória: “Se a senhora morrer agora, teria coragem de deixar seus filhos sozinhos com o seu marido?”
Após a alta, denunciou o agressor e teve no grupo o apoio para reconstruir a vida sozinha. “Eu sentia muita culpa, mas hoje vejo como sou forte. Sinto orgulho de mim.” No grupo, encontrou um espaço para ressignificar sua história, não mais como vítima, mas como autora do próprio caminho.
Segundo Andrea Capim, o projeto nasceu da necessidade de ampliar a escuta e oferecer novas formas de elaboração do sofrimento. “As mulheres chegavam com narrativas marcadas pelo olhar dos outros. Aqui, passam a se apropriar das próprias histórias.”
A escrita autobiográfica funciona como um dispositivo terapêutico potente: ao organizar memórias, as participantes identificam padrões, nomeiam e compreendem suas trajetórias.
Ângela Maria da Cruz Medeiros, 64 anos, massoterapeuta, conhece esse processo. “A violência volta na escrita, mas já não machuca da mesma forma. Hoje eu me admiro e quero ajudar outras mulheres.” Abandonada pela mãe na infância e marcada pelo racismo na escola, Ângela cresceu acreditando na imagem que lhe impuseram. “Eu me via como o patinho feio.” No grupo, encontrou um espaço para se reconhecer e reescrever sua história com mais cuidado consigo mesma.
A experiência mostra a potência das práticas coletivas na Atenção Primária, especialmente em territórios vulneráveis. Nas salas das UBSs, histórias antes silenciadas passam a circular e a ser acolhidas por outras mulheres.
Saúde municipal conta com Núcleos de Prevenção à Violência
A Prefeitura de São Paulo oferta e acolhe mulheres em situação de violência em qualquer serviço da rede municipal de saúde. O acolhimento é sigiloso, humanizado e garantido. Ao chegar a uma unidade, a mulher é atendida por profissionais capacitados. As equipes dos Núcleos de Prevenção à Violência (NPVs) realizam escuta qualificada, avaliam riscos e constroem, junto com a usuária, um Projeto Terapêutico Singular, articulando, quando necessário, outros serviços da rede. “Os NPVs são referência para construir caminhos de cuidado e segurança, respeitando o tempo de cada mulher”, explica a coordenadora da área técnica da pessoa em situação de violência da SMS, Cássia Ribeiro.
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