Secretaria Municipal da Saúde

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Quarta-feira, 22 de Abril de 2026 | Horário: 11:00
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Academia da Memória: grupo do CRPics São Mateus une estimulação cognitiva e convivência

Projeto da Prefeitura de São Paulo na unidade da zona leste trabalha com pessoas idosas ou que buscam prevenir a demência
Em uma sala de atividades, quatro pessoas idosas participam de uma dinâmica da Academia da Memória, sentadas em carteiras escolares e concentradas em exercícios impressos. Em primeiro plano, uma mulher de cabelos grisalhos escreve atentamente em uma folha com desenhos e atividades cognitivas. Ao fundo, outras participantes também realizam as tarefas com foco, em um ambiente acolhedor e iluminado. Na parede, há cartazes informativos e prateleiras com troféus, sugerindo um espaço de convivência e aprendizagem.

Participantes da Academia da Memória, no CRPICS São Mateus, realizam atividades cognitivas que estimulam a memória, raciocínio e socialização (Acervo/Ascom)

Aos 59 anos, o engenheiro Antônio César Paulo encontrou no Centro de Referência em Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (CRPics) São Mateus, na zona leste da capital, um aliado no enfrentamento da demência. Encaminhado pelo Centro de Atenção Psicossocial (Caps) da região há cerca de um mês, ele foi convidado a participar do grupo Academia da Memória. Foi ali, em meio a jogos, conversas e exercícios cognitivos, que César encontrou mais do que estímulo para a memória: encontrou um espaço de convivência. “Aqui a gente exercita a cabeça, mas também conversa, troca, se sente acolhido. Isso faz diferença”, diz o engenheiro.

A iniciativa integra as Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (Pics) da rede municipal e aposta em uma abordagem que vai além do cuidado clínico. Desde 2021, as Pics apresentam produção significativa, passando de 206.861 no ano de 2021, para 710.810 procedimentos em 2025, um aumento de aproximadamente 244%. 

A Academia da Memória é um grupo de promoção da saúde voltado principalmente para pessoas idosas ou com algum tipo de comprometimento cognitivo que impacta o dia a dia. As atividades coletivas combinam leitura, escrita, jogos, música, exercícios corporais e rodas de conversa, estratégias que estimulam a atenção, a concentração, a memória e o raciocínio lógico. Mas, segundo a assistente social Bruna de Freitas Cardoso Soares, responsável pelo grupo, o primeiro impacto observado é o aumento da confiança e da autonomia. “Muitos chegam aqui e dizem: ‘eu não consigo’, antes mesmo de tentar. E, aos poucos, eles vão ganhando confiança. Com o tempo, passam a realizar as atividades e até ajudar outros participantes. Isso muda completamente a relação deles com o próprio potencial”, explica.

Para Dona Antônia Rosa Bezerra, 71, o grupo representa uma mudança concreta na rotina. Participando desde o começo do projeto, a aposentada começou a frequentar os encontros, quando o esquecimento começou a impactar tarefas simples do dia a dia. “Eu perdia as coisas, esquecia onde colocava tudo. Isso atrapalhava muito minha rotina”, conta. Hoje, ela percebe os benefícios e faz questão de não faltar. “Eu me sinto bem aqui, quando não venho fico mal.”

Com uma média de 25 participantes, a Academia da Memória promove encontros duas vezes por semana e recebe principalmente pessoas idosas, encaminhadas pelas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), Caps ou por demanda espontânea. Mas a equipe do CRPics São Mateus percebeu uma transformação no perfil dos participantes. “Hoje a gente recebe também pessoas mais jovens”, diz Bruna, acrescentando que se trata de um grupo aberto. “Quem sente essa necessidade pode participar, inclusive de forma preventiva, os interessados passam por acolhimento, onde avaliamos a indicação mais adequada.”

A profissional destaca ainda que os efeitos do grupo ultrapassam o espaço das atividades. “Muitos começam a levar isso para casa. Fazem exercícios, compram palavras cruzadas, envolvem os netos. A família também passa a participar desse processo”, diz, reiterando a importância da socialização. O engenheiro Antônio Cesar, um dos participantes mais jovens, avalia que o impacto é direto: “Não é só memória. É você voltar a se sentir parte de um grupo”.

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