Secretaria Municipal da Saúde
8M: Mulheres têm atendimento integral na rede municipal de saúde

Participantes do grupo Poderosas, na UBS Jardim Mitsutani (Acervo/SMS)
As mulheres representam pouco mais de metade dos cadastros no SUS da capital, mas na prática, são de longe o público mais presente nas unidades de saúde, em especial da Atenção Primária. Elas vão em busca de consultas, exames e acompanhamento pela equipe Multi, não apenas por zelo com a própria saúde, mas pelo cuidado com toda a família que, culturalmente costuma marcar a existência feminina.
“Elas normalmente são responsáveis por manter a estabilidade das famílias e dos lares, o que representa uma enorme carga física e mental, muitas vezes em prejuízo da própria saúde”, comenta a coordenadora da Área Técnica de Saúde da Mulher da Secretaria Municipal da Saúde (SMS), Ligia Santos Mascarenhas, lembrando que as condições socioeconômicas também têm impacto direto sobre a saúde.
De acordo com dados do Siga Saúde, o SUS da capital possui atualmente 8,8 milhões de cadastros ativos, dos quais 4,9 milhões são de mulheres, o que corresponde a 56% dos usuários. Em relação às consultas nos equipamentos da rede, foram registrados 14,1 milhões de atendimentos de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, sendo 64,55% (9,1 milhões) voltados a mulheres.
Além de problemas ginecológicos, como endometriose e mioma, e de doenças associadas predominantemente ao sexo feminino, como câncer de mama, as mulheres costumam sofrer mais com doença de Alzheimer e transtornos do humor como ansiedade e depressão, enquanto doenças crônicas como hipertensão arterial e diabetes registram um aumento nos diagnósticos em mulheres na última década, segundo o inquérito Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), realizado nas capitais brasileiras pelo Ministério da Saúde.
Da orientação nutricional ao atendimento psicológico
Para lidar com a complexidade de fatores que levam ao adoecimento, a orientação, na Atenção Primária, frisa Ligia, é abordar as usuárias dos equipamentos em sua integralidade, unindo, para além da consulta médica, orientação nutricional, atendimento psicológico e atividades de promoção da saúde, por meio de grupos com várias finalidades e práticas integrativas.
De acordo com a coordenadora, a área técnica trabalha para traduzir as políticas públicas voltadas à saúde da mulher em ação nas UBSs, com programas e protocolos, como aqueles voltados aos cânceres de mama e colo do útero, gravidez, parto e puerpério, menopausa e também à violência, por meio dos Núcleos de Prevenção da Violência (NPVs).
“A UBS é a unidade de referência ao longo de toda a vida do cidadão”, lembra Ligia. No caso das mulheres, a unidade concentra as consultas com médico generalista e ações de prevenção e investigação primária, como coleta do Papanicolau (foram mais de 500 mil exames em 2025), encaminhamento para mamografia (315 mil realizadas em 2025), aferição de pressão arterial, além do encaminhamento para especialistas, sempre que necessário.
Abrir espaço ao acolhimento, à conversa e compartilhamento de experiências também faz parte do dia a dia de equipamentos como as UBSs e os Centros de Atenção Psicossocial (Caps). E os protagonistas deste cuidado não são apenas profissionais de enfermagem e médicos, mas também nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos, agentes comunitários de saúde, profissionais de educação física e outros que integram as equipes multidisciplinares.
Poderosas
Na UBS Jardim Mitsutani, há um ano a nutricionista Gyselle Iwie criou um grupo de práticas integrativas e complementares em saúde (Pics), o Poderosas, especificamente para trabalhar com mulheres diagnosticadas com fibromialgia e ansiedade leve; toda quarta, as “fibromialdivas”, como ela chama as pacientes, recebem auriculoterapia, praticam yoga ou fazem terapia integrativa comunitária (TCI).
São 13 mulheres com idades entre 37 e 69 anos, em sua maioria migrantes e com uma história de vulnerabilidades. Segundo a nutricionista, que integra a equipe Multi da UBS, gerida pelo Einstein Hospital Israelita, os efeitos dos encontros podem ser percebidos de várias formas: “Hoje eu vejo o grupo mais ativo e saudável, e nos dias em que elas precisam conversar, desabafar, fazemos a TCI”, relata Gyselle. “Hoje as participantes já conseguem falar o que sentem sem chorar.”
Nascida no sertão da Bahia e vivendo em São Paulo desde os 13 anos, a cozinheira Roberta Santos Moraes, 37, conta que o diagnóstico de fibromialgia veio em 2017, em um período de grande sobrecarga de trabalho e preocupações, e piorou em 2020, com a gravidez da segunda filha, o diagnóstico de hipertensão gestacional e o isolamento devido à pandemia de Covid-19.
“Tudo isso foi um gatilho, mas acho que a origem está na minha infância”, analisa ela, que há três anos começou a fazer terapia para entender melhor o que desencadeia a fibromialgia, uma síndrome com vários sintomas, em especial a dor crônica generalizada, que podem ser agravados por fatores emocionais.
Segundo Roberta, que teve que parar de trabalhar há cinco anos por conta das dores que, segundo ela, aparecem em diferentes partes do corpo e são excruciantes, o Poderosas tem ajudado a lidar com a doença. “Em primeiro lugar, é um grupo que nos acolhe, ao mesmo tempo em que nós mesmas acolhemos umas às outras, então é muito gostoso ir; sinto falta quando não consigo comparecer, porque conversar é uma forma de colocar a dor para fora”, diz ela, que gosta especialmente da auriculoterapia (“É incrível, quando faço fico muito melhor”) e espera poder voltar a trabalhar.
“Chá das Minas” promove apoio mútuo
No Caps Álcool e Drogas (AD) de Cidade Ademar, na zona sul, gerido pela organização social em saúde (OSS) INTS, a gestora Maria Carolina dos Santos Cruz Pacheco conta que a ideia de criar um grupo para mulheres, há mais de três anos, partiu da observação do desamparo destas pacientes. “Percebemos que a presença das mulheres no Caps AD se dá normalmente como acompanhantes de seus maridos, nos grupos envolvendo a família, mas quando elas próprias têm problemas, enfrentam estigma e abandono; mudar essa lógica foi o que nos motivou”, relata a profissional, acrescentando que mais de 80% dos atendimentos no local ainda envolvem o público masculino.
Assim nasceu o “Chá das Minas”, grupo semanal aberto, que se reúne nas segundas-feiras à tarde; a presença é heterogênea: jovens, profissionais e mães de família, idosas. Mulheres em situação de rua, mulheres de classe média. Em comum, a maioria passou por conflitos familiares, sofreu situações de violência e começou o uso de substâncias químicas – as dependências variam do álcool ao crack – muito jovem. Associados à doença da dependência química estão transtornos como depressão e borderline, entre outros.
“O objetivo não é falar das substâncias consumidas, mas de outros assuntos de interesse das mulheres, desde as aflições até relacionamentos familiares, trabalho, autocuidado”, diz assistente social Viviane Assis, uma das facilitadoras do Chá das Minas, juntamente com a enfermeira Elba Alexandre. Segundo ela, com o tempo, programações extras como passeios culturais e até idas à praia entraram na agenda.
“Se por um lado o estigma e a falta de rede de apoio são desafios, por outro as dinâmicas coletivas têm o poder de despertar o olhar para si mesmas, como um espelho, e de despertar as potencialidades destas mulheres”, pondera Ana Carolina, acrescentando que, aos poucos, de encontro em encontro, o próprio grupo virou rede de apoio para as suas participantes.
Serviços, protocolos e programas voltados a mulheres na rede municipal
UBSs – Além da realização de consultas, pedidos de exames e encaminhamento, as 481 Unidades Básicas de Saúde da capital possuem uma série de serviços voltados ao público feminino, como grupos de orientação e apoio a gestantes, mulheres na menopausa e outros.
Avança Saúde Mulher – realizado ao longo dos meses de março e outubro e durante um sábado no qual todas as UBSs da capital abrem as portas, a iniciativa concentra serviços como acolhimento, coleta de Papanicolau sem agendamento e encaminhamento para realização de outros exames preventivos, como mamografia e ultrassonografias, além de rápidos, consultas médica e de enfermagem, atualização vacinal, saúde bucal, orientações sobre tabagismo e consumo nocivo do álcool, atenção à saúde da pessoa idosa, entre outros. A 9ª edição do Avança Saúde Mulher acontece no próximo dia 28 de março.
Serviços de Referência de Mama - A SMS conta com 14 Serviços de Referência de Mama (SRM). focados no diagnóstico precoce e tratamento de lesões mamárias. Eles apoiam a Atenção Básica com mastologia, mamografia e biópsias.
Centros de Exames da Mulher – A rede municipal conta com dois CEMs, em Itaquera e Capela do Socorro, estes equipamentos foram criados para complementar a oferta de exames diagnósticos ao público feminino, atendendo mulheres residentes na área de abrangência determinada pelas Coordenadorias Regionais de Saúde (CRSs) que tenham necessidade de realizar três ou mais exames. Os CEMs, oferecem quase duas dezenas de exames, como mamografia, densitometria óssea, ultrassonografia mamária, ultrassonografia de abdômen total, ultrassonografia de abdômen total e transvaginal, entre outros.
Programa Mãe Paulistana - Oferece assistência integral a gestantes e bebês na capital, desde o pré-natal, com a realização de no mínimo 7 consultas, até o segundo ano de vida da criança, com foco na redução da mortalidade materna e infantil. Os benefícios do programa incluem transporte para consultas, exames, enxoval (kit bebê) e vaga garantida em creche.
Protocolo de Terapia Hormonal em Mulheres na PósMenopausa e/ou Climatério – Além da dispensação de hormônios das farmácias municipais, o documento lançar um olhar sensível para esta condição, a chamada síndrome do climatério, o que inclui uma abordagem multidisciplinar e integrada, com a participação de profissionais como médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos e fisioterapeutas.
Grupos de planejamento familiar – Embora não sejam restritos ao público feminino, são importantes para a orientação sobre o melhor método contraceptivo a ser adotado, se for o caso, de acordo com a vontade e a realidade de cada mulher.
Link com fotos: https://www.flickr.com/photos/saudeprefsp/albums/72177720332348241/
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